Diante de toda essa tragédia, o que podemos dizer? O que podemos fazer?... A
tristeza toma conta e fica um nó na garganta. Um nó que não desata...
O nó que queima em minha garganta
A fumaça que inspiro agora provoca-me um nó Que queima em minha garganta Um nó que não se desata Um nó que segura um grito de dor, um grito de dó Um grito que nada adianta Diante da crueldade nefasta
A desgraça que me inspira agora torna-me um só Solitário sentimento solidário de comoção Emoção que se torna moção por um mundo melhor Em que a rima da poesia pareça vazia Diante da incapacidade de dizer pela palavra em verso Toda a dor que há no universo De pessoas que veem seus anjos imolados Da pior maneira possível em sua inocência
Deixai ir a Jesus as criancinhas Mas não desse modo cruel Mas não desse modo cruel Mas não desse modo cruel Mas não desse modo cruel Mas não desse modo cruel Mas não desse modo Mas não... Mais não!
Liberemos nosso grito preso pelo nó na garganta Liberemos nosso grito... As palavras se repetem pela indignação Repetem-se pela sensação De que o absurdo acontece
O Fabrício
Carpinejar disse não desacreditar em Deus Mas crer firmemente na existência do diabo Eu digo firmemente acreditar em Deus E desacreditar no fato de que o mal não é um ser único O mal está nas pessoas O mal está em cada um de nós que não vê Que Jesus nos ensinou a ser bons No entanto, não aprendemos a lição do grande Mestre E continuamos queimando nossas vidas em angústias
Soltemos o grito preso na garganta: Meu Deus, tenha piedade de nós! Abrace essas crianças e receba-as em seu Reino de luz e de paz!
Tanto tempo nada publico, que resolvi fazê-lo entre os apertos que a vida de professor nos traz. Pensei em fazê-lo sucintamente, apenas por manter esse espaço ativo, ainda que tão poucos o têm lido, talvez até mesmo pela distância entre publicações. É compreensível e nada tenho a fazer senão retomar, se é que acredito que aqui ainda posso encontrar condições para expressar um pouco de minhas impressões sobre a vida.
São tantas as coisas sobre as quais poderia falar, mas poucas valem a pena neste momento de pouca inspiração: política, futebol, filosofia, reflexões sobre a vida... Enfim, tantas que não falarei de nenhuma delas.
Prefiro trazer aqui simplesmente uma música que, para mim, aqui e agora, em que a estou ouvindo, remeteu-me a este espaço novamente, sem que eu saiba o porquê. Ela diz tudo e basta a si própria, se é que NÃO me entendem...
Hoje completo meio século de vida... Olho para trás e percebo o quanto sou feliz. Lembro com clareza a estrada percorrida: cada etapa, cada parte dessa jornada me diz que o que construí é de fato consistente. Tornei-me um homem que, principalmente, agradece por tudo que tenho ao Senhor que me proporcionou encontrar o Amor... Sim, o sentimento Amor com “A” maiúsculo, que traz em si a essência da felicidade...
Agradeço também a todos que caminharam a meu lado, fazendo com que eu continue buscando o melhor. Todos aqueles que me fizeram muitas vezes sorrir, mas também todos os que me fizeram chorar... Pois sorrisos e lágrimas temperam o homem que sou e ajudam-me a tentar encontrar o que quero ser...
O homem que hoje completa 50 anos de idade, absolutamente imperfeito, sente-se comprometido a buscar cada vez mais a espiritualidade, com a
certeza de que cometerei erros até o fim de minha
travessia. No entanto, através deles vou tornar-me melhor que o homem que completa hoje 50 anos...
Hoje a Igreja Católica comemora o Dia dos Santos Reis, que a tradição surgida no século VIII converteu nos santos Belchior, Gaspar e Baltazar. Adoro estudar as tradições culturais do meu país e, particularmente, tenho me dedicado bastante ultimamente ao estudo das Folias de Reis. É interessante saber que a Bíblia não revela no Sagrado Evangelho que os Santos Reis o seriam de fato, pois faz referência apenas a “magos do Oriente”. São citados apenas por São Mateus:
“(2, 1) Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam: (2, 2) 'Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo.' (2, 3) O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele toda a Jerusalém; (2, 4) e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo.”
O evangelista não diz quantos nem quem são, mas a tradição católica e escritos não oficiais da Igreja sugerem que eram três e chamavam-se Melquior (ou Belchior), Baltasar e Gaspar. Esses nomes aparecem, entre outros textos, no Evangelho Apócrifo Armeno da Infância, do fim do século VI, no capítulo 5,10:
“Um anjo do Senhor foi de pressa ao país dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino que acabara de nascer. Estes, depois de ter caminhado durante nove meses, tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à luz. Precisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram 3 irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes.”
Eles são conhecidos por “Magos” não porque fossem expertos na magia, mas porque eram muito sábios e, sobretudo, tinham grande conhecimento da astrologia. De fato, entres os persas, se dizia “Mago” aqueles que os judeus chamavam “escribas”, os gregos “filósofos” e os latinos “sábios”.
Vale ressaltar que a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de David:
“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11)
Segundo li há algum tempo na revista Superinteressante, foi apenas no século III que eles receberam o título de reis, provavelmente como uma maneira de confirmar a profecia contida no Salmo 72: “Todos os reis cairão diante dele”. Por volta de 800 anos depois do nascimento de Jesus, eles receberam os nomes e também a origem: Melchior era rei da Pérsia, Gaspar era rei da Índia, e Baltazar era rei da Arábia. Melchior, honorável ancião, ofereceu ouro ao Rei Jesus. Gaspar, na força de sua juventude e beleza, ofereceu incenso. E Baltazar, de cor muito escura, ofereceu ao Salvador mirra.
Em hebreu, esses nomes significavam, respectivamente: “rei da luz” (melichior), “o branco” (gathaspa) e “senhor dos tesouros” (bithisarea). Na catedral de Colônia, na Alemanha, supostamente é o lugar onde repousam os restos mortais dos reis magos. De acordo com uma tradição medieval, os magos teriam se reencontrado quase 50 anos depois do primeiro Natal, em Sewa, uma cidade da Turquia, onde teriam falecido. Algum tempo depois, seus corpos teriam sido levados para Milão, na Itália, onde permaneceram até o século 12, quando o imperador germânico Frederico dominou a cidade e levou as urnas mortuárias para Colônia.
Devemos aos magos até a tradição de dar presentes no Natal. No ritual da antiguidade, ouro era o presente para um rei, incenso, para um religioso. E mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a mortalidade). O significado desses presentes costuma variar: uns dizem que o ouro representava a realeza de Jesus, filho de Davi; a mirra, a sua humanidade e o seu sacerdócio; o incenso falava de sua divindade, era Deus que se revestiu da forma humana, nascendo como um de nós. Outros já vão além disso, acrescentando outros detalhes:
– O ouro era o presente para um rei (realeza), mas também a riqueza e a alegria que os Reis Magos sentiram na alma quando se aproximaram do menino Jesus, além de ser símbolo de sabedoria universal e de todos os dons e talentos que Deus proporcionou à Humanidade.
– O incenso, para um religioso, simbolizava a fé, o retorno íntimo ao sagrado, às bênçãos que todo cristão precisa receber e doar, como também simboliza o ato de abençoar alguém com o coração e pode ser considerado uma oferenda devocional oferecida somente aos deuses e, nesse caso, ao Filho de Deus.
– A mirra era uma erva amarga cuja resina antisséptica era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, podia representar a humanidade de Jesus e, ao mesmo tempo, a Sua imortalidade divina, Sua pureza (o cheiro que ela emana faria ainda a ligação com o Divino e o Eterno, como símbolo para a vitória de Jesus sobre a morte), além de simbolizar também os pecados e defeitos humanos que seriam redimidos pelo Filho de Deus.
Nesta data, ainda, encerram-se para os católicos os festejos natalícios e é o dia em que se desmancham os presépios e são retirados todos os enfeites de Natal. Tenho uma identidade muito forte com esse dia, por vários motivos, que revelo a seguir.
O primeiro deles é a importância que dou à figura alegórica representada por cada um dos Santos Reis, conforme foi descrito acima, além dos significados dos presentes que levaram ao Menino Jesus.
De acordo com São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra, considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador (sua obra “História Eclesiástica do Povo Inglês” — Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum — lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa), em seu tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.
O segundo motivo pelo qual considero muito importante este dia é porque tenho o maior respeito pelo que representa a Epifania na minha vida particular. Sempre, após as festas de fim de ano (e isso é algo que trago comigo desde a infância), sinto-me muito pensativo e faço uma revisão de minha vida e do que posso fazer para tornar-me alguém melhor. Não é fácil perceber que, em alguns momentos como estes, que deixei de fazer muitas coisas importantes em minha vida que me fariam crescer como ser humano. Mas também é um momento de satisfação em perceber as vitórias que conquistei como pai, marido, irmão, filho, afilhado, compadre, padrinho, tio, amigo, profissional, enfim, como o Ernane que cada uma das pessoas que fazem parte da minha vida compreendem.
O terceiro e menos importante motivo de celebrar o dia 6 de janeiro é porque é meu aniversário.
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“Reis Magos”
Os Reis Magos chegaram e deixaram seus presentes
Para o Menino Deus que acabara de nascer
Muitas vezes, sinto que somos uns cristãos tão ausentes
Não celebramos aquilo que de fato deve ser
Ouro foi dado ao Menino Jesus como símbolo de sua realeza
E nós precisamos reafirmar a certeza
De nossa fé incondicional na figura de Deus em nossa vida
E da força que Ele nos proporciona para superar a lida
Incenso também foi um presente para o Menino Jesus
Que deve nos lembrar Sua divindade incontestável
E o amor intenso que emana suavemente de sua luz
Que nos enche o coração de forma inexorável
A mirra de nossos pecados e de nossa alma imperfeita
Representa a eternidade da presença do Cristo Ressuscitado
E a amargura que ora nos acolhe e que ora nos rejeita
É a redenção que Deus nos oferece em Jesus, de bom grado
Gaspar, Belchior e Baltazar louvam o Menino Deus vivo...
Seguiram a Estrela do Oriente em busca do palácio divino
E encontraram um castelo na gruta sagrada do motivo
Que deve mover cada cristão na procura do mistério sagrado
Que não precisa de rimas, nem de estrofes, nem de métrica...
Basta apenas acreditar...
Sentirei saudades da luz que se foi embora
Não se apagou essa luz que emana
De um coração generoso que não se explica
Da minha inesquecível Tia Ana...
Na minha fé, resta-me a oração silenciosa
Que brota do fundo do meu peito magoado
Pela antecipação da saudade impiedosa
Que agora dentro de mim irá morar...
O semblante de Tia Ana sempre ficará guardado
Na minha memória como uma imagem singular
De uma mulher forte que superou desafios da vida
Com a fé e a esperança de quem crê em Jesus
E sempre se pôs de apoio à família querida
Na condição que ela tinha de ser essa luz
Que emana e para sempre continuará assim
E continuará também a lembrança, para mim,
De um amor que se espalhou pelo mundo
Através do seu lindo olhar profundo...
Sentirei saudades da luz que se foi embora
Não se apagou essa luz que emana
De um coração generoso que não se explica
Da minha inesquecível Tia Ana...
Nesta terça-feira, 07/01/2014, completam-se 20 anos do meu matrimônio. Foi um dia de agradecimentos... Pois só tenho a agradecer a minha esposa, a meus filhos e ao meu Senhor por esses anos maravilhosos de minha vida. O casamento representou para mim um crescimento pessoal magnífico.
Na verdade, não tenho muito o que dizer neste post sem ser piegas ou simplesmente “chover no molhado”. Vou reduzi-lo ao mínimo, portanto, nos versos e na canção que, para mim e para minha amada esposa, representam muito tudo o que vivemos...
“Após esse tempo todo”
Após esse tempo todo
posso falar sem medo o quanto amo você
falo assim naturalmente
porque as palavras estão sempre em meus lábios
prontas para serem ditas
mesmo que venham não somente do meu corpo
mas da minha alma
Após esse tempo todo
posso dizer que sou um outro homem
mas ainda me sinto o mesmo de antes
jovem enamorado daquela menina linda
que o olhava com olhos furtivos e tímidos
contudo irradiantes de um amor nascente
amor que permanece ainda no gesto carinhoso
na companhia presente e consistente
na paixão ardente
Após esse tempo todo
temos nossos filhos que completam nossa vida
meninos quase homens
joias que Deus nos concedeu
que aprendem e ensinam a cada dia
lindas lições de amor que se renova
estabelecendo o limite ilimitado do carinho
Após esse tempo todo
resta-me a gratidão profunda
a Deus e à vida que nos permitiram
construir essa família iluminada
pela fé, pelo amor, pelo respeito e pela perseverança
Após todo esse tempo
ainda é muito fácil dizer o quanto amo
a minha linda mulher, minha esposa e companheira
pois cada coisa que faço na vida
é pensar que ser feliz não depende apenas de vontade
mas também da presença de um amor de verdade
um amor que não apenas serve para a rima
um amor que faz meu peito suspirar
todas as vezes que vejo o seu olhar...
Há muitas interpretações bacanas, de Geraldo Azevedo a Fagner, mas escolhi Badi Assad pela originalidade com que ela fez a releitura dessa música.
Nada publico há meses. Na verdade, não tinha o que dizer. Meu
silêncio falava mais, ainda que isso seja um clichê. Meu momento é de ouvir
muito e de falar pouco. É hora de aprender e apreender. Reescrever histórias já
contadas e já ouvidas, para encontrar de novo o caminho e não um novo
caminho.
Nessa altura da vida, meu GPS já está com a rota traçada.
Desviei-me dela por algum tempo, mas, graças a Deus, sei como buscá-la outra
vez. Para isso, como diria Drummond (o Carlos), “considero a enorme
realidade”.
Nunca me afastei (e nunca vou fazê-lo) do que deveras sou. Não
estou taciturno, tampouco meus amigos leais. Na cadência do passo que sigo,
percebo o ritmo da música que me embala e desembola a improvável angústia que
não consegue vencer minha vontade.
Olho as janela abertas e gostaria que fossem portas. Mesmo
assim, sei que posso olhar através delas e se for o caso, saio por elas. As
paredes não me prendem, pois estou livre. Liberto, desconheço a prisão e, por
isso, não a temo.
Nada publico há meses. Não tenho o que dizer. Mas transcrevo
abaixo quem me diz muito, além de deixar-lhes, meu prezado leitor e minha
prezada leitora, que vocês ouçam e vejam o vídeo a seguir.
Chegamos ao final de mais um ano. Não
tenho muito o que dizer, depois de tanto tempo sem postar nada. Mas
senti vontadede deixar esse curto post no sentido de sobretudo
agradecer. Agradecer pela oportunidade de ser feliz, de ter saúde e de
ter pessoas maravilhosas ao meu lado.
Agradeço
também por ter fé. Essa fé me permite a esperança, que remove as
ansiedades e sustenta minha certeza de um mundo melhor, e um futuro
melhor.
Um feliz 2013!
Novo
Cá estamos novamente Diante da perspectiva de mais um ano Conceber o que está cima do humano Deve estar em nossa mente
Não é fácil entender a vida Muito menos conceber verdades Nossos erros e acertos também Na longa estrada percorrida Nossos defeitos e nossas virtudes E até o que está muito mais além Do que podemos perceber O importante mesmo é ser... Ser gente acima de tudo
Neste novo ano que se aproxima Não vai fazer diferença a rima Nem a metáfora obscura do verso O que importa mesmo é agradecermos Por estamos junto mais uma vez Daqueles que amamos profundamente Importa lembrarmos aqueles que não estão aqui mais Pois estarão sempre presentes em nossos corações Na essência do que somos e seremos
Feliz novo ano! Lembre-se de ser Simplesmente Cada vez mais humano Agradeça sempre a Deus Ame profundamente os seus Compartilhe sempre o que você é E nunca deixe de exercer sua fé.
Trabalho há quase 30 anos na mais antiga empresa do ramo têxtil do Brasil, a Cedro, que completou no último 12 de agosto 140 anos. Falo com toda a sinceridade que é um orgulho. Meu pai trabalhou por 53 anos na Cedro e, por tudo o que minha família vivenciou, sinto-me muito realizado por trabalhar também nessa empresa.
Meu irmão Joaquim é também colaborador na empresa, trabalhando na coligada Cedronorte, em Pirapora. Ele foi convidado a fazer um discurso no evento de comemoração do aniversário, com a participação da Diretoria e do Conselho Administrativo da Cedro e também de autoridades como o vice-governador e outros. Ficou muito bacana e, para constar, transcrevo o texto do discurso abaixo, juntamente com o vídeo filmado pela esposa do meu irmão.
Exmo. Sr.
Exma. Sra.
Ilmo. Sr.
Ilma. Sra.
Demais presentes, boa noite!
É com imensa honra que venho representar os colaboradores da Cedro nestes 140 anos. A Cia. de Fiação e Tecidos Cedro e Cachoeira surgiu como um ideal na mente de homens empreendedores, Antônio, Bernardo e Caetano, que tornaram realidade uma empresa construída sobre alicerces maciços, cuja energia principal sempre foi a capacidade e o empenho de seus acionistas, colaboradores e gestores.
Falar da Cedro nestes 140 anos é como contar uma história que se repete geração após geração e que vem perpetuando a empresa e possibilitando o desenvolvimento das comunidades que se formaram ao redor dela.
Falemos, por exemplo, de Caetanópolis, onde foi instalada a primeira unidade da Cedro. Durante muitos anos, Caetanópolis foi conhecida como “Cedro” (e até hoje muitas pessoas a chamam assim) e acabou recebendo o nome de um dos fundadores da empresa, Caetano. A cidade surgiu ao redor da Cedro e desenvolveu-se graças às possibilidades geradas pelos investimentos feitos no parque industrial ali instalado. É inegável a evolução econômica não só da terra de Clara Nunes e berço da indústria têxtil mineira e nacional, mas de toda a região circunvizinha, fruto do crescimento da Cedro.
E esse desenvolvimento se propagou também em outros lugares, como em Pirapora, cuja cidade surgiu a partir da instalação de um armazém para comercialização de tecidos da Cedro e compra de algodão , aproveitando os vapores que navegavam pela hidrovia do rio São Francisco.
Mas o valor mais importante deixado pela empresa é o capital humano. As diversas gerações de colaboradores que hoje trabalham na empresa falam com orgulho da oportunidade de terem criado suas famílias com o fruto do seu trabalho na Cedro. Desse grupo, faço parte.
A história da Cedro se confunde com a minha e com a de muitos de vocês aqui presentes. Acredito que, assim como meu pai, que trabalhou 53 anos na Cedro, temos vários outros exemplos de famílias com várias gerações construindo suas vidas nesta empresa. Hoje, com 32 anos de empresa, sinto-me como se estivesse com meus 15 anos, quando fui admitido.
Essa emoção, tenho certeza, passou por muitos que aqui estão hoje, que aqui, ainda jovens, iniciaram sua jornada e cresceram dentro da Cedro, conheceram seus amigos, constituíram família, enfim, viveram. E a Cedro, cheia de vida nestes 140 anos, consegue ser lembrada como uma das importantes indústrias têxteis do Brasil e caminha firmemente para ser, de fato, a melhor.
Para terminar, quero deixar alguns versos que tentam sintetizar o que representa a Cedro, tenho certeza, para mim e para os colaboradores que dela fazem parte:
“Tecendo a vida”
Fazer o algodão do sonho transformar-se
no fio consistente da realidade
Tecer a vida com a trama do tempo
e o urdume da perseverança
Tingir o tecido com a cor do sucesso
Vestir a alma da gente com a esperança
Cedro: 140 anos tecendo histórias de vida!
(enanre etraud)
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Boa noite!
Joaquim discursando no evento de 140 anos da Cedro
Era um garoto tímido. Extremamente magro, o menino sempre teve dificuldade em socializar-se. Ele acordou cedo naquele dia. Afinal, seria seu primeiro dia de trabalho. Já tinha o costume de acordar cedo, mas naquela segunda-feira não conseguiu passar das 5h da manhã. Foi ao quintal, buscou um pouco de lenha e acendeu a fornalha. Voltou para tratar das galinhas, dos porcos e do seu cachorro fila. Foi até o córrego que passava no fundo de casa conferir as varas e as linhas de espera e um bagre de bom tamanho juntamente com um douradinho estavam presos e iriam servir para o almoço. Trouxe-os e os jogou no poço onde mantinha os peixes vivos, debaixo do pé de manga-espada. Enquanto isso, sua mãe preparava o café e seu pai ouvia o programa do Zé Bettio no rádio.
O coração do menino batia ansioso pela expectativa. O apito da fábrica às seis horas da manhã acelerou as batidas e iniciou uma contagem regressiva. Às 06h40min o pai chamou: “Vamos pegar no batente?” O coração já não se continha. Um abraço e um beijo na mãe e o pedido de bênção, deixando a casa. Seguiram pelos fundos da casa, para um potãozinho por onde o pai passava todos os dias. O pai era o único funcionário da empresa que não passava pela portaria, tamanha era a confiança do gerente da fábrica. Estava fazendo muito frio naquele dia de junho. Mas o menino sentia calor, aquecido pela ansiedade.
Marcou o cartão, como o pai lhe ensinou e aguardou a chegada do monitor de treinamento que o levaria à seção e lhe mostraria o que fazer. Foi direto para o setor de trabalho e começou sua aprendizagem. As primeiras quatro horas passaram rapidamente e logo chegou a hora do almoço. Fez o caminho de volta para casa em silêncio com o pai, que não lhe perguntou como foram as primeiras horas. Mas a mãe sim. Entretanto, como o tempo para o almoço era exíguo, não teve muito o que falar. Voltou para as quatro horas restantes, que também passaram rapidamente e logo retornou para casa. O pai continuava em silêncio e nada perguntara.
Mais uma vez, não havia muito tempo para conversar. Tinha que tomar banho logo e seguir para a escola a pé, numa caminhada de cerca de quarenta minutos. Antes ia de bicicleta, mas agora não mais podia guardá-la dentro da escola. A possibilidade de a roubarem era grande e não valia a pena arriscar. Então, ele e mais dois colegas vizinhos iam a pé todos os dias. Às vezes ganhavam carona na ida e na volta, embora nem sempre.
Quando chegou da escola às 23h, o pai o esperava com a mãe. A janta estava no canto do fogão a lenha e, enquanto comia, o pai lhe perguntou finalmente como fora o dia. Uma alegria silenciosa invadiu o peito do menino. Contou ao pai sobre seu entusiasmo e o que aprendera. Contou como se impressionou com aquelas máquinas que transformavam algodão em fio. Mostrou ao pai e à mãe as queimaduras nas mãos, com todo o orgulho de um trabalhador pelos calos que cultiva ao longo de sua jornada. O pai sorria, com um olhar satisfeito para o filho. Findo o jantar, bênção de pai e mãe. O menino já não se sentia mais assim. Orgulhoso, dormiria naquela noite o sono de um homem.
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“O sono de um homem”
o sono de um homem é repleto de expectativas
de um dia seguinte melhor que o que passou
ninguém jamais saberá tudo o que povoa sua cabeça
nem mesmo ele próprio o sabe em sua plenitude
pensamentos são velozes e sinuosos
silentes, não alardeiam sua presença
aguardam o momento de serem percebidos
na tênue hora do sono cansado
o sonho é então um pensamento que amadurece
e penetra profundamente no coração do homem
ao invadir seu íntimo
transforma-se em parte de sua alma
e passa a ser a imagem mais perfeita
da esperança...
(Enanre Etraud)
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Para finalizar, deixo cá os versos do grande Fernando Pessoa, no seu heterônimo Álvaro de Campos, sobre o sono:
“O Sono”
O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.
O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.
Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.
Meu Deus, tanto sono!...
Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa), in “Poemas”
Entro no ônibus com um bom dia tímido e não correspondido. Faço-o por educação e por formalidade. Busco um lugar para sentar, de preferência que não tenha um outro passageiro. Encontro um nas últimas poltronas do fundo. Sento-me e fico calado, pedindo a Deus uma viagem segura.
Após alguns meses, surpreendo-me agora como mudei. Isolo-me em minha viagem como aqueles que um dia critiquei. Sei que isso não condiz comigo e, às vezes, volto ao que sou quando encontro alguém que me permita isso. As crianças e os idoso são meu alvo predileto de interlocução.
Sei que não é fácil vencer os desafios do mundo moderno, mas percebo que nos sujeitamos com muita facilidade ao status quo e acabamos nos tornando insípidos. Não percebemos mais os sabores do viver.
E pior: educamos nossos filhos assim, para serem os melhores (ou melhores que os outros), desenvolvendo-lhes o egocentrismo. Ensinamos-lhes o valor do trabalho, para que ganhem muito dinheiro e sejam felizes sozinhos. Lembro-me de uma tirinha do cartunista argentino Quino que traduz muito bem isso. Meu amigo Coqueiro postou-a outro dia. Reproduzo-a abaixo:
Saio do ônibus rapidamente, na frente de todos os demais. Sigo caminhando sozinho para o trabalho. Um outro colega vem logo atrás de mim, mas não o espero. Tenho pressa de chegar ao trabalho, sentar-me à mesa e isolar-me ainda mais. Mas intimamente coloco-me que jamais devo esquecer meus valores.
Que relação pode ter a frase de Kierkegaard e a curiosidade reproduzida abaixo?
"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para a frente." (Soren Kierkegaard)
Um peixe de água salgada vive na água doce? E um peixe de água doce, vive em água salgada? Não. Os líquidos que circulam no corpo do peixe de água salgada têm aproximadamente a mesma quantidade de sais da água do mar. Se o peixe for colocado em água doce, a concentração de líquidos de seu corpo será maior que a do ambiente. O peixe absorverá água e não terá como eliminá-la, porque seu rim é pouco desenvolvido. Ele inchará e poderá explodir. Se um peixe de água doce for colocado no mar, a concentração de líquidos de seu corpo será bem menor que a da água e ele perderá líquido até ficar desidratado.
Fonte: http://guiadoscuriosos.ig.com.br/
Maneira estranha de começar um post... Mas o que me ocorre para esse texto é exatamente a ideia de que não temos respostas para tantas coisas. Sequer sabemos o que perguntar, na maioria das vezes. Aliás, não originalidade no que estou dizendo. Alguém já viu isso na TV. A grande verdade é que isso é algo sobre que precisamos refletir. Somos peixes muitas vezes fora do nosso ambiente, mesmo que dentro da água. Como homens, como podemos nos adaptar às circunstâncias vorazes que nos cercam na sociedade moderna? Crescemos com o que vivemos. O passado nos importa tanto quanto o presente e o futuro. O pensamento de Kierkegaard é magistral. "Esse filósofo dinamarquês foi quem estabeleceu uma conexão entre Hegel e o futuro existencialismo. Além de rejeitar Hegel, ele abordou situações relacionadas à natureza da fé, à instituição da fé e da ética cristãs bem como à teologia. Por causa disso, sua obra é, algumas vezes, caracterizada como existencialismo cristão, em oposição ao existencialismo de Jean-Paul Sartre ou ao proto-existencialismo de Friedrich Nietzsche, ambos derivados de uma forte base ateística."(Fonte: adaptação de texto da Wikipedia) Pois isso torna o pensamento de Kierkegaard mais interessante ainda. Professa o respeito ao passado e projeta a esperança. E a esperança nada mais é do que a maior prova de fé que qualquer pessoa pode ter. É crer naquilo que ainda não é real, no que pode simplesmente vir a ser. Para sobrevivermos nesse mundo voraz é preciso que nos adaptemos às circunstâncias e isso não é fácil sem que tenhamos uma força maior como referência de apoio. Crer em Deus ou em qualquer outra força superior de nome diferente que Ele tenha é algo assim: uma manifestação de esperança.
Como industriário, trabalhei 30 anos na Cedro (indústria têxtil centenária de Caetanópolis, MG), de onde me desliguei em 2013. Hoje, ainda atuo como professor (desde 1987) em escolas particulares e públicas.