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quinta-feira, 11 de junho de 2020

Sob a sombra das paineiras




Sob as sombras das paineiras, passei
Tantas vezes, sem que notasse as cores
E o tapete aveludado cobrindo os paralelepípedos
Com as flores que despencavam suavemente dos galhos
Derrubadas pelas aves e insetos bêbados de néctar
Inebriados pela beleza incomensurável daquelas árvores.
O apito da fábrica apressava-me os passos
E a escola me esperava
E o trabalho me esperava
E a namorada me esperava
E a casa em construção
E a vida sendo edificada...

Não passo tanto por lá mais...
Mas é como se as paineiras jamais tivessem me deixado
Sinto ainda o perfume das flores e a maciez das painas
espalhadas por onde piso
Marca de carinho da cidade que tem apelido de árvore
Ouço ainda os pássaros em festa e o zunzum das abelhas em seu lavor
O menino sai de dentro do homem
E nos paradoxos da vida
O menino se torna maior que o homem...




domingo, 27 de janeiro de 2019

Dinha

 

Escrevo essa postagem para minha madrinha e irmã, a quem simplesmente amo demais. Dinha é como se fosse uma segunda mãe para mim e dedico a ela um pequeno conto e um poeminha. Vamos lá!

 
A menina de tranças”


A menina de tranças pegou sua boneca de pano e saiu correndo para o alpendre. O cachorro tinha latido e ela sabia que era o pai chegando. Os irmãos mais novos foram também. Trabalhava fora e só vinha nos finais de semana, sempre trazendo algo da viagem. Às vezes era uma bisnaga de pão da Padaria Nossa, de Sete Lagoas. Outras vezes eram algumas balas Santa Rita. Mas sempre trazia algo para os filhos.
Entretanto, naquele dia, o pai trouxera algo diferente. Era uma cesta trançada de bambu cheia de coisas diferentes, algumas que ela nunca tinha visto. Os irmãos rodeando o pai de abraços e ela tentando se aproximar dele, não obstante a grande concorrência por atenção. Mas a menina estava mesmo é curiosa com o que estava dentro daquela cesta.
O pai, finalmente, chegou perto dela e falou:
— Terezinha, guarde essa cesta em cima do guarda-roupa. Tome cuidado para não cair do tamborete!
— Sim senhor, pai! Mas o que são essas coisas dentro dela?
O pai então foi explicar que era uma cesta de Natal. E que lá dentro estavam nozes, castanhas e outras guloseimas de que a menina só ouvira falar nos livros. E ela tinha esquecido: era já dezembro e logo chegaria o Natal, logo o pai passaria noites acompanhando a Folia de Reis. Um porco ou mais seriam sacrificados para as festas de final de ano.
A menina de tranças abriu um sorriso. Como era bom o Natal! Como era bom fazer parte daquela família! Pulou do tamborete com a agilidade de menina-moça e foi correndo para a cozinha passar um café e fritar uns bolinhos de chuva para o pai, que tinha ido para o quarto para tirar os sapatos e calçar suas alpercatas.
Daí a pouco, tomando o café com bolinhos na sala, o pai contaria histórias aos filhos, que o rodeavam, sentados no chão da sala. Eram histórias maravilhosas que levavam as crianças a outros mundos, tão diferentes daquele pequeno lugarejo a que estavam acostumados. E eram mundos de aventuras de príncipes valentes, de joões soldados, de princesas lindas e delicadas e de muitos outros heróis e heroínas.
Contudo, o maior herói daquelas crianças estava ali, bem defronte a elas...


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A chave do tempo


pelas janelas abertas do passado
ela projeta seu futuro
são tantas histórias que se contam por si mesmas!
a porta do tempo tem uma chave
que ela usa para navegar pelas décadas
fazendo a travessia
levando consigo todos ao redor
resgatando memórias vivas de pessoas e lugares
de acontecimentos e de coisas
que constituem
molécula por molécula
o DNA de sua família
a chave tem a marca da saudade
e é feita de um metal super-resistente
inoxidável
que se chama amor