quinta-feira, 29 de março de 2018
As paineiras e os meninos que voam
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
50 anos
Hoje completo meio século de vida...
Olho para trás e percebo o quanto sou feliz.
Lembro com clareza a estrada percorrida:
cada etapa, cada parte dessa jornada me diz
que o que construí é de fato consistente.
Tornei-me um homem que, principalmente,
agradece por tudo que tenho ao Senhor
que me proporcionou encontrar o Amor...
Sim, o sentimento Amor com “A” maiúsculo,
que traz em si a essência da felicidade...
Agradeço também a todos que caminharam a meu lado,
fazendo com que eu continue buscando o melhor.
Todos aqueles que me fizeram muitas vezes sorrir,
mas também todos os que me fizeram chorar...
Pois sorrisos e lágrimas temperam o homem que sou
e ajudam-me a tentar encontrar o que quero ser...
O homem que hoje completa 50 anos de idade,
absolutamente imperfeito, sente-se comprometido
a buscar cada vez mais a espiritualidade, com a certeza
de que cometerei erros até o fim de minha travessia.
No entanto, através deles vou tornar-me melhor
que o homem que completa hoje 50 anos...
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Santos Reis
Os Reis Magos chegaram e deixaram seus presentes
Para o Menino Deus que acabara de nascer
Muitas vezes, sinto que somos uns cristãos tão ausentes
Não celebramos aquilo que de fato deve ser
Ouro foi dado ao Menino Jesus como símbolo de sua realeza
E nós precisamos reafirmar a certeza
De nossa fé incondicional na figura de Deus em nossa vida
E da força que Ele nos proporciona para superar a lida
Incenso também foi um presente para o Menino Jesus
Que deve nos lembrar Sua divindade incontestável
E o amor intenso que emana suavemente de sua luz
Que nos enche o coração de forma inexorável
A mirra de nossos pecados e de nossa alma imperfeita
Representa a eternidade da presença do Cristo Ressuscitado
E a amargura que ora nos acolhe e que ora nos rejeita
É a redenção que Deus nos oferece em Jesus, de bom grado
Gaspar, Belchior e Baltazar louvam o Menino Deus vivo...
Seguiram a Estrela do Oriente em busca do palácio divino
E encontraram um castelo na gruta sagrada do motivo
Que deve mover cada cristão na procura do mistério sagrado
Que não precisa de rimas, nem de estrofes, nem de métrica...
Basta apenas acreditar...
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Reavaliar a avaliação
Reavaliar a avaliação
Enfrentar as dificuldades e o não querer
querer superar os difíceis enfrentamentos
muitas vezes pode ser doloroso aprender
mas a vida se faz de bons e maus momentos
Ensinar é muitas vezes estar à beira do precipício
Aprender é tecer desafios constantes de vida
Ensinar é desapegar-se de todos aqueles vícios
Tirando da cartola a magia da criatividade reaprendida
Avaliar como um PAAE que não SAEB
Escolher o melhor caminho para o filho
Deixa, então, que seja dele essa escolha...
SIMAVE vale dois pássaros voando que um na mão
A rima e a métrica foram esquecidas
Assim como as avaliações que não retratam a vida...
sábado, 20 de setembro de 2014
Não há fórmulas
Esse texto foi feito em relação à oportunidade que estou tendo de rever o meu papel de educador, no momento em que se fala de um “Pacto” para fortalecer o Ensino Médio no país. Extrapolo o contexto, pois vejo algo muito além disso. Vejo a oportunidade de construção de um país melhor, com cidadãos e educadores mais conscientes e uma juventude que participe positivamente da sociedade, pois a Escola poderá ser uma etapa de suas vidas em que os jovens realmente sentirão a contribuição que a Educação pode lhes oferecer.
domingo, 15 de junho de 2014
Uma luz que emana
Não se apagou essa luz que emana
De um coração generoso que não se explica
Da minha inesquecível Tia Ana...
Na minha fé, resta-me a oração silenciosa
Que brota do fundo do meu peito magoado
Pela antecipação da saudade impiedosa
Que agora dentro de mim irá morar...
O semblante de Tia Ana sempre ficará guardado
Na minha memória como uma imagem singular
De uma mulher forte que superou desafios da vida
Com a fé e a esperança de quem crê em Jesus
E sempre se pôs de apoio à família querida
Na condição que ela tinha de ser essa luz
Que emana e para sempre continuará assim
E continuará também a lembrança, para mim,
De um amor que se espalhou pelo mundo
Através do seu lindo olhar profundo...
Sentirei saudades da luz que se foi embora
Não se apagou essa luz que emana
De um coração generoso que não se explica
Da minha inesquecível Tia Ana...
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
20 anos depois...
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Sem palavras
“Sem palavras”há um bom tempo estou sem palavrasnão sei do que falarnem porque fazê-lomas sei que é na feitura das lavrase no esperançoso semearé que se quebra o gelopara colher-se o poema que brotade onde estava, imaturo,esperando, na fonte que não se esgotano lugar mais escuroque a claridade da inspiraçãovai iluminar…mesmo que o cansaço invadacorpo e mente ansiosos por revelarao mundo aquela tímida emoçãosem palavras, o poema não é nada…nada mais que a simples vontade de falar…expressar-se na tentativa de recriarno espaço vazio do papela sequência de palavras que dirãoque a vida não é apenas uma ilusãonem somente realidade cruela vida nos ilude e nos seduza vida nos fere e nos acaricia…sem palavras estou há um bom temponão consigo encontrar facilmente a rimanem me prendo à métrica inexataescreve simplesmente e o poema termina…
domingo, 6 de maio de 2012
Crônica de vida e trabalho
Para finalizar, deixo cá os versos do grande Fernando Pessoa, no seu heterônimo Álvaro de Campos, sobre o sono:
terça-feira, 17 de abril de 2012
Família, família – carpe diem
"Carpe Diem"
aproveitar o dia confuso
para refazer o tempo esgotado
reconstruí-lo em bloco difuso
de tijolos do barro do passado
misturado à argila do momento
antecipado pela mensagem do vento
que se intromete no poema apenas para rimar
ouço ao longe o coro de adolescentes
ansiosos por aprender
como fugir da escola mais cedo sem ser percebido
costuro então as palavras
palavaras palaveras palavelhas
que se repetem em trocadilhos já ditos
em conceitos semânticos esquisitos
carpindo o dia
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Encontro de Folia de Reis e Pastorinhas
sábado, 24 de dezembro de 2011
Se John Lennon não tivesse morrido
“Se John Lennon não tivesse morrido”
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Mais uma vez a Somália é sinônimo de fome
“A fome”
A Fome mostra às vezes seu rosto esqueléticoTal qual a Morte, sua irmã...Ninguém pode ignorá-laQuando ela transpassa-nos com sua lança de dorLancinante...Por que é tão cruel a Fome?Não tem piedade de ninguém...Mas ela se supera ao atacar as criançasSugando-lhes, secando suas entranhas inexoravelmente...
Vejo sua cara terrívelEstampada nas capas de jornais e revistasMas também num simples passeio pelas ruasDe muitos lugares deste país...Pergunto-me o que mais pode ser feitoAlém da simples distribuição de bolsas...
A Fome e seu rosto esqueléticoPerseguem-me em meus pesadelosAssombram-me o olharFazem-me lembrar do menino magrelo de outroraQue nunca passou fome, entretanto...Esse menino ainda existe aqui dentroE se irmana com os que sofrem a dorDe não ter o que comer.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Um menino em São Vicente
Quando era menino, ansiava pelas férias em São Vicente. Era um tempo de aventuras e sonhos, muitos sonhos... Fui com meus pais aos 4 anos para Caetanópolis, terra maravilhosa, mas nunca me esqueci de São Vicente, exatamente por que lá eu podia fazer muitas coisas totalmente inadmissíveis na casa de meus pais.
A começar da viagem em si. Tirando o fato de um rapaz magrelo e fracote como eu ter de caminhar com a mala pesada do centro de Sete Lagoas, no início da Monsenhor Messias (onde o ônibus do Cedro a Sete Lagoas tinha ponto final) até a estação ferroviária (onde era o ponto do ônibus que levava a São Vicente), tudo era bom. Íamos normalmente em ônibus do tipo monobloco, com motor na frente, ao lado do motorista. Esse motor era coberto por uma estrutura onde nos sentávamos e tínhamos visão total da paisagem de estrada de terra encascalhada, margeada por fazendas e lagoas. Mas o lugar mais esperado da paisagem era a ponte sobre o Rio das Velhas, impressionantemente estreita sobre um rio de águas pesadamente barrentas que, por várias vezes, em períodos chuvosos cobriam-na (até que um dia essas águas levaram a ponte embora). Era como se estivéssemos andando numa corda bamba sobre um precipício.
A parada em Funilândia ou Jequitibá, dependendo do trajeto do ônibus em que viajávamos, era sempre interessante. Além da tradicional ida ao banheiro, havia um lanche de requeijão, de biscoito do tipo “boca de velho”, de polvilho ou daqueles antigos “quebra-quebra” com um café tão gostoso!... Outra parada que havia (quando íamos por Jequitibá) era em Baldim, na lanchonete do meu padrinho Domingos Barbosa. Aí era quando meus irmãos morriam de inveja, pois era só descer e dizer para ele “bença, padrim!”, que eu ganhava um doce e, de vez em quando, até um chocolate Diamante Negro ou Sonho de Valsa. Claro que eu tinha que dividir com meus irmãos (cada um dava uma mordidinha, controlada e medida com o dedo).
Chegando em São Vicente, já sabíamos para a casa de qual tio cada um iria, considerando que não iríamos todos para a casa de um só, pois eram pobres, com famílias numerosas e muitas bocas iriam onerar o orçamento, até porque ficávamos sempre no mínimo uma semana. Mas não importava para onde iríamos: seríamos sempre bem recebidos, com aquele amor e carinho que sempre marcaram nossas vidas indelevelmente.
Meu tio Divino e minha tia Cecília, que saudades deles! Brincávamos com o primo Desinho e ouvíamos as histórias maravilhosas e cheia de mentiras do meu tio Divino, irmão caçula do meu pai Tião que fazia aniversário no mesmo dia que ele (24 de fevereiro). Esse meu tio, mesmo com dificuldades para caminhar que acabaram o tornando definitivamente paralítico, era dono de habilidades fantásticas com as quais criou seus filhos e lhes ensinou diversas profissões: de artesão de couro, passando por serralheiro e também por pedreiro. Infelizmente, não conseguia largar o cigarro, o que seria um dos responsáveis por tirá-lo de nós.
Minhas tias Té (Esther) e Dorvalina, severas como meu pai (irmão delas), mas com corações tão cheios de um carinho que transbordava e nos inundava. O chafariz, os quitutes deliciosos de tia Té, doces, cubus, bolos, biscoitos e a comida simplesmente inesquecível. Os picolés quadrados de formas de geladeira de Chica de Zezé Gonçalves que pagavam para nós com suas moedinhas sempre disponíveis. A habilidade de minha tia Dorvalina nos tricôs e seu olhar sereno, mesmo diante da dificuldade de ser paralítica, como meu tio Divino.
Na casa de tio Irênio (que não conheci, pois a morte o levou antes) tínhamos (e ainda temos, graças a Deus) a nossa queridíssima tia Divina, uma pessoa espetacular de quem nunca me esqueço em minhas orações. Mulher lutadora, que, mesmo perdendo o marido muito cedo, criou todos os seus filhos com muito amor e nos reservava o mesmo carinho. Sua casa fica na Copacabana, bairro que está entre dois córregos onde nadávamos e pescávamos.
Como é bom lembrar agora de meus primos todos, especialmente os de idade próxima a minha, como Zelito (que saudades! Deus o levou tão cedo...), o Vandinho, o Derson, o Desinho, o Luisinho Castelo Branco, o Willian Macaco... E os amigos do peito Nélson de Sô Dino, Paraná, Julinho Brioso e tantos outros. Jogávamos futebol nos campinhos diversos que havia por lá e ficávamos invariavelmente cheios de carrapatos, que tirávamos nadando nos córregos (que diziam infestados de xistose, embora nunca ficamos doentes disso nem vimos nenhum dos nossos amigos). As pescarias também eram memoráveis... Sempre voltávamos com o cambão repleto de piabinhas, carás e as deliciosas traíras. Caçar passarinho também era bom (embora hoje me lembre um pouco arrependido disso), pois as rolinhas que matávamos viravam saborosos petiscos preparados por minhas tias ou pelas mães de meus amigos.
Tenho tantas histórias das férias de minha infância em São Vicente, que esse post é insuficiente para relatar. No entanto, ele serve para relatar minha saudade de tudo isso. Hoje vou tão pouco a São Vicente, atropelado pelo tempo inexorável, que nos absorve e que nos aliena. É preciso vencer essa lassidez que nos leva à acomodação no lugar comum da falta de tempo para tudo. Vou tentar isso, pois tenho consciência de que, se sou o homem que sou, devo muito a esse menino magrelo que passava férias em São Vicente.
domingo, 24 de julho de 2011
Crônicas de viagem I - Valores
Saio do ônibus rapidamente, na frente de todos os demais. Sigo caminhando sozinho para o trabalho. Um outro colega vem logo atrás de mim, mas não o espero. Tenho pressa de chegar ao trabalho, sentar-me à mesa e isolar-me ainda mais. Mas intimamente coloco-me que jamais devo esquecer meus valores.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Um soco no estômago
Lua nova demais(Elisa Lucinda)
Dorme tensa a pequena
sozinha como que suspensa no céu
Vira mulher sem saber
sem brinco, sem pulseira, sem anel
sem espelho, sem conselho, laço de cabelo, bambolê
Sem mãe perto,
sem pai certo
sem cama certa,
sem coberta,
vira mulher com medo,
vira mulher sempre cedo.
Menina de enredo triste,
dedo em riste,
contra o que não sabe
quanto ao que ninguém lhe disse.
A malandragem, a molequice
se misturam aos peitinhos novos
furando a roupa de garoto que lhe dão
dentro da qual menstruará
sempre com a mesma calcinha,
sem absorvente, sem escova de dente,
sem pano quente, sem O B.
Tudo é nojo, medo,
misturação de “cadês.”
E a cólica,
a dor de cabeça,
é sempre a mesma merda,
a mesma dor,
de não ter colo,
parque
pracinha,
penteadeira,
pátria.
Ela lua pequenininha
não tem batom, planeta, caneta,
diário, hemisfério,
Sem entender seu mistério,
ela luta até dormir
mas é menina ainda;
chupa o dedo
E tem medo
de ser estuprada
pelos bêbados mendigos do Aterro
tem medo de ser machucada, medo.
Depois menstrua e muda de medo
o de ser engravidada, emprenhada,
na noite do mesmo Aterro.
Tem medo do pai desse filho ser preso,
tem medo, medo
Ela que nunca pode ser ela direito,
ela que nem ensaiou o jeito com a boneca
vai ter que ser mãe depressa na calçada
ter filho sem pensar, ter filho por azar
ser mãe e vítima
Ter filho pra doer,
pra bater,
pra abandonar.
Se dorme, dorme nada,
é o corpo que se larga, que se rende
ao cansaço da fome, da miséria,
da mágoa deslavada
dorme de boca fechada,
olhos abertos,
vagina trancada.
Ser ela assim na rua
é estar sempre por ser atropelada
pelo pau sem dono
dos outros meninos-homens sofridos,
do louco varrido,
pela polícia mascarada.
Fosse ela cuidada,
tivesse abrigo onde dormir,
caminho onde ir,
roupa lavada, escola, manicure, máquina de costura, bordado,
pintura, teatro, abraço, casaco de lã
podia borralheira
acordar um dia
cidadã.
Sonha quem cante pra ela:
“Se essa Lua, Se essa Lua fosse minha…”
Sonha em ser amada,
ter Natal, filhos felizes,
marido, vestido,
pagode sábado no quintal.
Sonha e acorda mal
porque menina na rua,
é muito nova
é lua pequena demais
é ser só cratera, só buracos,
sem pele, desprotegida, destratada
pela vida crua
É estar sozinha, cheia de perguntas
sem resposta
sempre exposta, pobre lua
É ser menina-mulher com frio
mas sempre nua.







