sexta-feira, 25 de junho de 2010
Fragmentos de uma pessoa
domingo, 23 de maio de 2010
Sobre filhos
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Sobre o frio nas almas
Acabaram-se tantas coisas boas de nossas vidas. Olvidaram-se nas estações que passaram. Foram-se tantas pessoas.
Desapareceram nas curvas do destino. Tantas palavras curvadas de angústia. Tenho meus sacramentos. Leonardo Boff ensinou-me. Supero a dor com o paradoxo da saudade. Já falei dele em outras oportunidades. Minhas frases curtas relatam minha inspiração mínima. Mas preciso dizê-las, expressá-las. Senão me implodem.
Neste momento, faz frio... um frio intenso e inequívoco. Ele não se engana em açoitar-me. Supero a dor com o paradoxo da saudade.
“Frio”
Meu corpo estremece e vacilo...
que farei agora neste frio?
O vento arranha minha pele
enquanto não percebo o vazio
que há no curral onde me escondo
peço ao cocheiro que atrele
o cavalo imaginário e afio
a lâmina de brilhante cabo redondo
que usarei para fazer o que é preciso
preparo-me então e estendo um sinal
ao corcel que segue firme adiante
penso em quando receberei o aviso
que me libertará desse meu mal
que massacra minha calma como gigante
que sequer percebe que pisou em formiga
não há nada neste momento que eu diga
que possa mudar o rumo do corcel
ele segue adiante sem um guia
sem ninguém com um pouco de alegria
e eu continuo com a lâmina na mão
e o frio cada vez mais fundo...
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Sobre a música
Escrevi uma vez sobre a música. Não me lembro quando mais. Na verdade, queria homenagear um músico muito em especial, um amigo que me surgiu ao longo da caminhada.
Falar da música é falar de sentimentos, de emoções transfiguradas em sons. Melodia, ritmo, cadência, carinho, folia, sinfonia, inteligência, arte, parte da vida, da história humana, sagrada ou profana.
Falar da música é buscar no alto da árvore mais alta o fruto mais saboroso e difícil de apanhar. Falar da música PE chorar ou às vezes sorrir. Falar da música é sentir. É, sobretudo, ouvir.
Esse post é para homenagear o amigo Nascimento, maestro da maravilhosa Banda de Música Euterpe Santa Luzia. Tantas histórias, tanta importância, tantas coisas boas que não cabem nesse post. Mas cabem folgadas em mim.
Tive oportunidade de estudar a Música, com as excelentes aulas do Maestro Nascimento. Tive de parar, por circunstâncias e por respeito. Para ser bem estudada, a Música exige tempo e dedicação. São coisas intrínsecas, embora extrinsecamente eu tinha dedicação. Voltarei um dia a estudá-la.
Mas o que pude ver, valeu-me. Pude entender melhor a beleza da música e sua complexidade, para dar-lhes mais valor ainda. Sei o quanto a música pode me envolver. Não faço quase nada em minha vida sem que esteja presente a música.
O Maestro Nascimento possibilitou-me isso. Emocionou-me demais uma vez: fez uma canção para mim e presenteou-me em pleno Concerto de Gala da Banda de Música Euterpe Santa Luzia. Minha canção é linda. Captou perfeitamente o que sou e, um dia, quero ser capaz de eu mesmo tocá-la.
Fiz para o Maestro uns versos. Meus filhos e minha esposa admiram-no tanto quanto eu próprio. Quero um dia conhecer os filhos e netos do Maestro. Conheço sua esposa. Todos são felizes por tê-lo. Todos somos felizes por conhecê-lo.
Deus lhe permita muita saúde sempre. O mundo precisa de pessoas assim.
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“O mundo precisa de pessoas assim”
Enquanto observo as notas
Que desfilam diante de meus ouvidos extasiados
Sinto a sequência suave de sons
É mais uma música divina que ouço
Que me faz perceber o que é estar bem
Vejo o grande mestre à frente da banda de música
Com gestos precisos e firmes conduzindo os sons
Que saem dos instrumentos com a precisão imprecisa
Da emoção que contagia a todos que veem e ouvem
Penso então que o mundo precisa de pessoas assim
Que possam conduzir-nos na maravilhosa música da vida
Com gentileza extrema, mas, paradoxalmente,
Com atitudes precisas e firmes
Que sejam o paradigma
Pelo qual devemos pautar nosso caráter...
O mundo precisa de pessoas assim para nos reger nesse momento
Nascimento de algo bom que permanece
Ressoando suavemente em nossos olhares audiófilos
Em busca da música perfeita que embale nossa alma...
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“Nascimento”
Na percepção do som que ressoa
A coisa mais evidente é a emoção
Sentimentos que extrapolam a razão
Corajosamente indo aonde somente
Inventivos artistas conseguem ir…
Músicos que se equiparam aos maiores
Engenheiros das sonoridades divinas
Navegantes da barca do Parnaso
Trazendo a arte da Música que encanta
O mundo e lhe traz a lição de amor e paz…
sexta-feira, 26 de março de 2010
Drummondianas
Queria não estar perdido agora no meio do caminho... Encontrar o sentimento do mundo em cada palavra mágica. Brincar de quadrilha até chegar a hora do cansaço.
Entre o ser e as coisas, tento encontrar coesão e coerência ao falar da vida. Mas não é fácil fazer a composição de tudo isso, pois há um segredo não revelado a leigos como eu. Não é nenhuma bomba.
Meus ombros suportam o mundo que eu vivo apenas, por isso o que me resta relatar sobre minha vida, da infância até agora, são notícias de um menino sonhador, que tinha como meta na vida apenas amar, mesmo diante das sem-razões do amor. Na sua meninice, adora a fazenda que não lhe pertence, enquanto no pasto um boi vê os homens que passam, impassíveis (ambiguamente) e pensa na bunda que engraçada.
Os amigos do menino, de José a Gabriel e Pedro, de mãos dadas, temem como ele a bruxa, e no final do ano, na interpretação de dezembro, imaginam um Papai Noel às avessas entrando pelas chaminés inexistentes de suas casas, rezando para que ele não se mate e que este Natal não seja mais um que lhes falte presentes.
Este texto pode parecer meio insensato, mas traz simplesmente uma homenagem a um dos maiores escritores de língua portuguesa de todos os tempos: Carlos Drummond de Andrade. O mineiro simples de Itabira, que escreveu de crônica a poesia, eternizando o seu olhar atento à vida em forma de palavras. Ele sabia que o mundo é grande e sua matéria poética é sobretudo o tempo, o cotidiano, o subjetivo. Sofreu com o passado e temeu o futuro, por isso, talvez, manteve-se no presente.
Não pude escrever um poema de sete faces nem mesmo um caso do vestido para ilustrar este pequeno texto, para não dizer textículo. Então, reproduzo uma crônica linda de Drummond, para deleite dos leitores.
“No aeroporto”
Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-lo a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras, e, a bem dizer, não se digne de pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas boas intenções para com o mundo ocidental e oriental, e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho; tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores.
Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou importuno. Suas horas de sono - e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia - eram respeitadas como ritos sagrados, a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém nós mesmos é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos.
Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da tevê. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.
Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa amizade lhe conferia caráter necessário de prova; ou gratuito, de poesia e jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. Reprod. Em: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973,p.1107-1108
domingo, 14 de março de 2010
Mercado Negro
Queria publicar um post hoje a qualquer custo. Tive a oportunidade de encontrar com minha madrinha Dinha e ela falou-me de umas histórias legais de São Vicente e de meu pai. É sempre bom ouvir histórias de pai e mãe, no duplo sentido. Se não mais posso ouvi-los contar, que alguém me conte histórias sobre eles. Quem sabe as publique nesse espaço virtual de sonhos e confissões.
O título do post remete a coisa totalmente diferente desse assunto. Tinha intenção de escrever coisa totalmente diversa. Mas não sou dono das palavras. Sou escravo delas e já disse isso outras vezes. Sou escravo delas e submeto-me ao que me orientam, como se psicografasse num fluxo ininterrupto, enquanto ouço Carmina Burana (Fortuna Imperatrix Mundi-Fortune plango vulgare). Mantenho título, ainda que não tenha muita coisa a ver com o post.
Não preciso me estender. Pareço um poeteiro (como classificou este blog um leitor). Respondi-lhe: fazer o quê? Talvez seja meio assim romântico, embora sobrevivi ao mal-do-século. Tenho emoções que não costumo represar. E a palavra permite-me revelá-las, à deriva de meus reflexos de constrangimento. Tenho emoções e incluo nesse post um vídeo legal que vi sobre o tema embora não queira tratá-lo como lema nem problema. Apenas um dilema.
Este espaço virtual apareceu-me como uma janela. Uma oportunidade de ver o mundo panoramicamente e mostrar-me a ele apenas pelo espaço que a janela permite. É injusto? O que é justo? Quem quiser ver-me mais, deverá entrever-me nas entrelinhas. Entreler-me.
“Janelares”
“(…) O pensamento o perde
A emoção o encontra
O sorriso o alcança
E a vida o perece (…)”
(Maria Helena Braz da Silva)
sobrevivo ao mal-do-século
não obstante meu coração em pedaços
insiste em existir
sofro é claro sofro muito muito muito
com a saudade de pessoas que se foram
e não podem mais me contar suas histórias
mas a vida me faz prosseguir
mesmo que sofra
sei que o sofrimento é necessário
para crescer...
pelas janelas vejo o mundo
que apenas me entrevê
vejo a ti
que estás aí a me ler
do outro lado da tela do teu computador
com dor ou sem ela
olhas-me pela janela
que a máquina te permite usar
se tu janelares
descobrirás olhares
que tu não tinhas visto antes
e se enxergares o que está aqui dentro
verás que o mundo não é só teu mundo
sobrevivo ao mal-do-século
não sou tão romântico afinal
descubro palavras e elas me descobrem
desnudam-me perante o mundo
brinco com elas e elas judiam de mim
maltratam-me inexoravelmente
mas depois me consolam
com carinho extremo e muito amor
mas há uma palavra que me machuca
mesmo que sem crueldade
esta palavra que (não ouses dizê-la) tento esquecer
esta palavra que me recuso a dizer
esta palavra: saudade...
segunda-feira, 8 de março de 2010
Sobre a Mulher
Não tenho muito o que dizer neste post.
Nossa vida é feita de conquistas
Cujo valor tem a medida

Do que representam em nossa vida.
Mesmo que não sejamos realistas,
A realidade se impõe feroz,
Mostrando o que isso vale para nós.
Conquistar coisas não é tão duro,
É mais difícil conquistar uma pessoa.
Conquistaram-me várias mulheres,
A quem agora dedico esta loa.
Este elogio singelo de um homem simples
Que não tem muita coisa a dizer a elas,
Às mulheres maravilhosas que me ensinaram
A enxergar a vida de fora das janelas.
Que me ensinaram a entender sentimentos
Profundos como a humildade.
Que me ensinaram a reconhecer de fato
O que é amar de verdade.
Neste poema de versos e estrofes disformes
Quero reproduzir apenas minha admiração,
Minha homenagem e a marca de minha emoção.
Não sei como terminá-lo, mas sei que preciso
Então, simplesmente vou lhes dizer assim:
Mulheres, parabéns, adoro vocês e fim.

