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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Como uma barca segue o rio




           Hoje completo mais um aniversário de casamento, com muita serenidade. Esses trinta e alguns anos ao lado dessa pessoa maravilhosa, que é minha esposa, tem-me proporcionado a cada data que comemoro a oportunidade de lembrar e refletir.


           Gosto de pensar a vida a dois metaforicamente. Aliás, nossa vida é cheia de metáforas! E as figuras expressam o que não sabemos – ou não podemos – falar. Se busco então conotar esse relacionamento de dois seres que se completam, serei então um rio...






um rio busca encontrar o mar

ao longo de uma jornada sem fim

nunca sabe o que vai encontrar

esse rio que corre dentro de mim...

em seu percurso há mais de um afluente

que mantêm seu fluxo constantemente

para que possa chegar a seu destino

passará por vales e montanhas este rio

matando a sede do homem e do menino

a sede do bicho, a sede do verde

preencherá o espaço do leito vazio

dos açudes que fizerem nas suas margens

seguirá este rio incansável

levando em suas águas uma barca

que navega segura na sua correnteza

seguindo o fluxo das águas do rio

levando consigo a tranquila certeza

de que vai chegar aonde precisa ir

a barca ama o rio e dele necessita

assim como o rio ama a barca

sem ela, o sentido de chegar ao mar

perde-se diante da grandeza de amar

amar a barca e levá-la consigo aonde for

trazê-la sobre suas águas e sob seu amor

num fluxo de vidas que se completam

e que convergem




           
           Soninha, minha esposa linda! Que bom que Deus nos uniu! Continuemos assim, vivendo a intensidade desse amor que, como o rio e a barca, sabem-se necessários um ao outro, sabem-se complementares, sabem-se parceiros, amantes e amados...

            E como eu amo você!


domingo, 27 de janeiro de 2019

Dinha

 

Escrevo essa postagem para minha madrinha e irmã, a quem simplesmente amo demais. Dinha é como se fosse uma segunda mãe para mim e dedico a ela um pequeno conto e um poeminha. Vamos lá!

 
A menina de tranças”


A menina de tranças pegou sua boneca de pano e saiu correndo para o alpendre. O cachorro tinha latido e ela sabia que era o pai chegando. Os irmãos mais novos foram também. Trabalhava fora e só vinha nos finais de semana, sempre trazendo algo da viagem. Às vezes era uma bisnaga de pão da Padaria Nossa, de Sete Lagoas. Outras vezes eram algumas balas Santa Rita. Mas sempre trazia algo para os filhos.
Entretanto, naquele dia, o pai trouxera algo diferente. Era uma cesta trançada de bambu cheia de coisas diferentes, algumas que ela nunca tinha visto. Os irmãos rodeando o pai de abraços e ela tentando se aproximar dele, não obstante a grande concorrência por atenção. Mas a menina estava mesmo é curiosa com o que estava dentro daquela cesta.
O pai, finalmente, chegou perto dela e falou:
— Terezinha, guarde essa cesta em cima do guarda-roupa. Tome cuidado para não cair do tamborete!
— Sim senhor, pai! Mas o que são essas coisas dentro dela?
O pai então foi explicar que era uma cesta de Natal. E que lá dentro estavam nozes, castanhas e outras guloseimas de que a menina só ouvira falar nos livros. E ela tinha esquecido: era já dezembro e logo chegaria o Natal, logo o pai passaria noites acompanhando a Folia de Reis. Um porco ou mais seriam sacrificados para as festas de final de ano.
A menina de tranças abriu um sorriso. Como era bom o Natal! Como era bom fazer parte daquela família! Pulou do tamborete com a agilidade de menina-moça e foi correndo para a cozinha passar um café e fritar uns bolinhos de chuva para o pai, que tinha ido para o quarto para tirar os sapatos e calçar suas alpercatas.
Daí a pouco, tomando o café com bolinhos na sala, o pai contaria histórias aos filhos, que o rodeavam, sentados no chão da sala. Eram histórias maravilhosas que levavam as crianças a outros mundos, tão diferentes daquele pequeno lugarejo a que estavam acostumados. E eram mundos de aventuras de príncipes valentes, de joões soldados, de princesas lindas e delicadas e de muitos outros heróis e heroínas.
Contudo, o maior herói daquelas crianças estava ali, bem defronte a elas...


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A chave do tempo


pelas janelas abertas do passado
ela projeta seu futuro
são tantas histórias que se contam por si mesmas!
a porta do tempo tem uma chave
que ela usa para navegar pelas décadas
fazendo a travessia
levando consigo todos ao redor
resgatando memórias vivas de pessoas e lugares
de acontecimentos e de coisas
que constituem
molécula por molécula
o DNA de sua família
a chave tem a marca da saudade
e é feita de um metal super-resistente
inoxidável
que se chama amor